O ANIMAL AGONIZANTE

Philip Roth

  

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 (Este texto contém dados importantes da trama)  

Philip Roth é o escritor americano que mais tem chance de ser laureado com o Nobel de Literatura. Sua escrita é de suma importância, apesar de que muitos o considerem um realista exagerado

 

Este “Animal Agonizante” é um livro curto, porém, representativo do estilo de Philip Roth. A principio, qualquer um que não conheça a obra deste escritor imaginará que se trata de uma história banal, lendo apenas umas trinta páginas. Mas, o que prejudica Roth, é que sua narrativa (desta vez, um monólogo) parte do presente para fatos passados, e dali para outros fatos, por vezes, em um passado mais distante ainda, fazendo com que o leitor tenha que prestar muita atenção nos desdobramentos e razões deles.

 

O personagem David Kepesh é o mesmo de “O Seio” e “Professor de Desejo”. Talvez por isso não fique tão estranho ele ser bem extremado na relação sexual. Em seu monólogo ele faz a defesa da vida sem casamento, apoiado por um amigo poeta que acaba morrendo e chocando David. O fato é que David, professor de literatura e crítico de arte para a TV, mesmo na faixa dos sessenta anos, ainda leva alunas e amigas para a cama, descompromissadamente. Quando conhece Consuela, uma descendente de Cubanos, jovem, linda, perfeita, ele passa a lutar consigo mesmo, contra o amor, a paixão que o domina. Como tentativa de se desvencilhar, ele acaba ignorando Consuela após algum tempo de relação efervescente. E durante oito anos, ele agofa seus sentimentos, sainda com garotas, trabalhando e tocando piano. Tudo que ele não quer é cruzar com Consuela e, com isso, ver-se desarmado perante a grandeza feminina daquela jovem que para ele é seu contrário. Pois se ele está cada vez mais próximo da morte, ela só está começando a viver. E dar o braço a torcer, assumindo uma união com Consuela, porá por terra, todos os conceitos sobre os quais David, fundamentou sua vida, depois de um casamento fracassado, donde resultou um filho que diz que o odeia. Um desses conceitos diz respeito ao sexo e à diferença entre a perfeição do corpo de Consuela e a decadência do corpo de Kepesh. E é então que ao final de oito anos sem contato, Kepesh recebe a visita de Consuela. Esta por sua vez, parece cumprir com alguma determinação divina, incontrolável. O câncer de mama a está consumindo, e a morte próxima é para ela uma possibilidade. Nesta configuração, muda tudo para David, que terá de se decidir, depedir-se de sua identidade de individualista, de homem imune às paixões e suas consequências, ou perde a oportunidade de viver seus últimos dias compartilhando e auxiliando no sofrimento de sua amada. Neste ponto, é que ele se dá conta, de que o amor independe do sexo, e se dá conta também de que era exatamente por esse momento, por essa oportunidade, que ele estava esperando, todo esse tempo. Resta decidir.

Cultura = Sabedoria ?

Em tempos onde George W.Bush garbosamente comtempla Shakespeare com a honra de lê-lo, não é de se admirar que o livro, a palavra impressa, retoma um tanto do prestígio outrora adquirido. Mas pra quê! Já sabemos que pra Bush Jr. o conhecimento de Shakespeare não lhe servirá para nada, quem dirá se ele de repente vier a ler a divina comédia (só se for uma versão em quadrinhos, e olhe lá). Tenho visto muita gente com livros na mão e tal. Ponto para todos. Mas adquirir cultura, realmente leva a atitudes sábias? No estacionamento de um Shopping, recentemente, vi dois senhores discutindo. Enquanto arrumava algumas coisas no bagageiro da Moto, pude ver que o motivo da discussão era banal e facilmente solucionável. Fiquei curioso e olhei para o contendores, e qual não foi minha surpresa ao reconhecer um dos interlocutores, por sinal, o mais alterado, um renomado intelectual, jornalista e crítico de arte. Aquilo serve de exemplo. De que adianta uma bagagem cultural avantajada, e não saber usá-la. Pior, por conta de sua posição intelectual, querer obter vantagens em todos os momentos, por se inserir em um “status elevado”.

Alguns dias atrás, circulou por e-mail, uma mensagem supostamente atribuída a Ma rco la, um dos líderes do P C.C. Nesse texto, uma espécie de depoimento, este indivíduo arroga-se a posição de indivíduo culto, porque lê Dante, inclusive cita trechos. Se a mensagem é verdadeira, e M arco la realmente leu Dante, é outro exemplo de que a leitura para ele não serviu para nada. Pior, teve uma interpretação deturpada, ruim. E a suposta bagagem cultural do meliante não passa de gabolice, a exemplo de quantos milhares que andam com uma bíblia debaixo do braço, e, no entanto, estão envenenados pelo preconceito e pela ganância. 

Flores do Mal

Comprei o livro “Flores do Mal” de C.Baudelaire, nesta nova apresentação comemorativa de 40 anos da Editora Nova Fronteira. Estava cansado de ter que recorrer à Biblioteca Pública para novas releituras daquela poderosa poesia. Nesta nova edição, me chamou a atenção o fato deste livro (que contém um longo prefácio, notas, comentários, complementos, totalizando mais de 400 páginas, sendo bilingue) ser de fácil portabilidade, diferente da edição anterior da mesma editora que era medonhamente grande. Um amigo comentou que não compraria esta nova edição, mesmo com o custo de metade do preço, pois não tinha beleza alguma. Partindo deste comentário, é fácil fazer uma análise de uma das forças que movem a indústria e o mercado livreiro no Brasil, em distinção aos países que detém um número mais elevado de leitores. Por aqui, parece que a beleza da edição, é fator altamente relevante na compra de um livro. Na Europa e na América do Norte (EUA e Canadá), passa-se por uma banca de revistas e pode-se comprar títulos literários importantíssimos em formato de Livro de Bolso. Por exemplo, “Gravity’s Rainbow” de Thomas Pynchon, em papel jornal, sai por apenas sete dólares, e note que este livro tem oitocentas páginas, e cabe num bolso de um casaco ou japona, pode acreditar, sendo de fácil manuseio e dinamiza a leitura, pois você leva onde vai, lê na fila do banco, no metrô, na sala de espera de consultórios, aguardando clientes, etc.. “Da Vinci Code” custa quatro dólares e noventa centavos. Por lá, antes de sair a chamada “Hardcover” ou capa dura, todos os livros saem em papel jornal e preço muito acessível. Por conta disso, estes livros vendem em grandes quantidades. Mas por aqui, “O Arco Íris da Gravidade” que é editado pela Cia.das Letras, custa setenta reais. O livro pesa uns dois quilos, senão mais. É de difícil manuseio, cansativo até de ler aconchegado em uma poltrona confortável. Porém, é muito bonito! Todo o miolo em papel Chamois, capa plastificada e elegante, um luxo. Mas, péssimo pra leitura. A única maneira de ler este volume, é com ele em cima de uma mesa, a menos que o leitor queira ter um problema com músculos e nervos dos braços. Pra que isso? Parece que o público leitor brasileiro, antes de buscar conteúdo nos livros, busca embelezar as prateleiras de suas bilbliotecas. Livros volumosos, talvez tragam até certo status moral, a quem os possui, e de repente possam até dizer que os leram?! Só que não é bem assim, pouca gente neste Brasil, já leu “Arco Íris da Gravidade”. Pouca gente já leu “Don Quixote”! Por quê? Porque até há pouco tempo só existiam edições de grande porte destes livros! “Don Quixote” saiu em formato de bolso, pela LP&M POCKET recentemente e tenho visto por aí, muita gente devorando o grande clássico. Pois se tornou bem mais conveniente, do que aquelas edições luxuosas, cheias de adornos, e que só servem pra embelezar estantes. A Companhia das Letras iniciou uma coleção de livros de pequeno formato, já há alguns anos, e ainda há poucos títulos, mas espero, que breve passe a lançar as importante obras de seu catálogo neste formato, para que possamos andar acompanhados de boa leitura, o tempo todo e a Nova Fronteira merece elogios por dispor de 40 livros para a coleção citada no início, que realmente tem preços bons e edição útil à leitura, mas ainda há muito a trilhar para favorecer enfim, a leitura.