Filmes sobre crime e criminosos

Diante do sucesso recente da série Narcos e da reflexão de que no cinema e nas séries a maldade e a bandidagem chamam mais público e atenção do que a bondade e a caridade, queria aqui colocar uma lista breve e feita muito rapidamente de alguns dos melhores filmes que assisti sobre crime e criminosos. Na verdade são filmes que operam sem positividade para o lado dos criminosos e tem a característica de conterem diálogos e cenas que jamais são esquecidos. Os filmes muito óbvios, como Scarface, O Poderoso Chefão, Os Bons Companheiros, entre outros, nem necessitam de ser mencionados. Quem não viu, vale a pena ver

Traffic

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Os Infiltrados

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Selvagens (Oliver Stone)

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Donnie Brasco

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Gomorra

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O Gangster

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8 ½ (Federico Fellini)

Este filme que carrega grande dose de autoanálise, inicia com uma brincadeira biográfica do diretor, onde sobressaem alguns aspectos que o atormentam. O convívio social que produz isolamento. A fome de se estar sempre em ascenção. E mais importante, a busca da saúde por aqueles que deliberadamente se entregaram ao dois artifícios citados.

Logo em seguida, quando se torna mais sério, o autor emula a constrição que a arte de sua época sofre da crítica, no papel de um roteirista que muito bem pode se tratar de uma alucinação do protagonistga, que aliás, é um diretor de cinema, Guido. Mais tarde vai nos falar da sanha em ganhar o mercado americano e mostra a roda viva a que o artista está permanentemente exposto, ordenando e sendo ordenado, adulando e sendo adulado.

O amadurecimento do homem junto com o amadurecimento do artista e a libação dos arroubos da juventude são representados pela presença da amante, incômoda naquele momento.

Os sonhos que são uma recorrência na obra de Fellini aqui são uma constante e invariavelmente representam os temores do personagem principal. O retorno a um passado relegado, ambíguo de trajetórias e prenhe de feridas incuráveis, como na relação familiar e no traumático ensino religioso em internato.

O embate criativo permeia a narrativa. O filme é dedicado aos criadores, de todas as artes. É um momento de influências de várias origens. Um abandono do classicismo exacerbado e um florescimento de culturas exteriores à Itália e por que não dizer, característico dos variados países ocidentais.

A admiração de Fellini pela arte popular é devidamente exposta com a rumba da personagem Saraghina. Uma das mais emblemáticas e belas cenas musicais da obra de Fellini. Saraghina representa o pobre povo, abandonado pela aristocracia e identificado como o demonio pela igreja. Nesse caso, Fellini aproveita para ele mesmo prever uma reação crítica, através do personagem roteirista. Isso traz um contraponto entre a espontaneidade e carisma de Saraghina e a arrogância técnica do roteirista, tão típica. Se Fellini dispensa a técnica para se dedicar a arte em si, é extremamente discutível, acho que não. Mas que ele prefere buscar inspiração na vida, na “doce vida” ou na amarga, isso posso afirmar. E aqui as coisas ficam mesmo amargas para o protagonista. Guido é um homem com uma enorme conta a saldar com seu passado e que ao passa-lo em revista se dá conta que não consegue amar. Se dá conta que em todas suas relações sempre manteve uma posição de domínio que sentia ser tênue e fugidia e destaco para essa interpretação a cena de delírio com um harém com todas as personagens femininas do filme.

Há também a ação conflitiva nas searas da moral religiosa. Guido busca se libertar dessa moral ou pelo menos questionár ela por conta de se sentir sufocado pelo passado ligado à religião. È  característica da maior parcela da população européia àquele momento no ano de 1963.

A impossibilidade de o homem viver em harmonia com tudo aquilo que ama. A purgação diária que se faz dos desvios de conduta induzidos pela paixão. Esses pontos são caros à Fellini. E é nesse ponto que entra a homenagem que faz à sua esposa, Giulietta, caracterizando-a na esposa de Guido. A heroína sempre firme em todos os momentos de decepção amorosa, e sempre a lhe questionar e afirmar sua capacidade de se tornar uma pessoa melhor na condução de seu relacionamento afetivo.

Guido é um homem em busca de si, atormentado por um passado que impera em seu presente e indagando sobre seu futuro. É a vida, meus amigos, é a vida.