MUDANÇAS NO GERENCIAMENTO, TUDO MUITO BEM ENGENHADO, DIRIA MINHA AVÓ.

Não resisti à tentação de fazer uma análise. Sei que não deveria, nem ninguém me pediu, mas dane-se. Não peço pra que leiam também. Faço essa análise só pra não perder os pensamentos do atual momento.

Gustavo Fruet fracassou nas últimas eleições em Curitiba. Em Itaperuçu, Nenéu Artigas, não por acaso do PDT, também. Em Rio Branco do Sul, causou surpresa a expressiva votação obtida pela Karime, do PDT. Não levou, mas saiu por cima da carne seca.

Fruet foi um prefeito administrativo. Praticou o choque de gestão do tipo anafilático. Deixou vários setores da prefeitura à beira da paralisia em seu primeiro ano de governo. Depois veio fazendo uma coisinha aqui outra ali. Mas priorizou o atendimento social. Creches e postos de saúde sempre estiveram em primeiro lugar em sua gestão. Poderá ser lembrado como o prefeito que instalou os Portais do Futuro (http://www.portaldofuturo.curitiba.pr.gov.br), que reformou a Praça Afonso Botelho e cobriu a piscina ali existente, que construiu o Cine Riachuelo e a Praça de Bolso do Ciclista, ou então que implantou a Reserva do Bugio, os Parque Guairacá, Mairi e Mané Garrincha. Muitas outras coisas vem à mente, mas em Curitiba, a cidade do espetáculo, nada é sólido, tudo se desmancha no ar, menos o nariz empinado de sua população mais tradicional. Então, se você não é um Jaime Lerner, nem tente.

Digo isso, ainda que pese o fato de notar que Gustavo, politicamente foi suicida o tempo todo nestes últimos quatro anos. Oprimiu os servidores públicos (faltaram trinta mil votos, não foi), usou uma plataforma descontraída até demais para dialogar com a população, a tal da Prefs, perdeu a mão na escolha de lideranças e apesar do esforço de tentar ser simpático, ficou apenas na caricatura. Respeito muito seu compromisso e seriedade, mas ainda vai ter que buscar muitas lições com o exemplo de seu saudoso pai.

Mas, partindo para um enquadramento teórico, fica cada vez mais evidente que no atual modelo de funcionamento político, as instituições do Estado, entre elas as prefeituras municipais (entes federados) nada mais são que balcões de gerenciamento dos interesses capitalistas. Gustavo, apesar de sua feição muito humana, dedicada e séria, não escapa dessa lógica. Foi o momento pseudo socialista da Prefeitura de Curitiba, ponta de lança de um movimento maior que vai se extinguindo dando lugar à conservação de velhas tradições. Os últimos doze ou quatorze anos foram de expansão da economia de mercado no país e geração de uma massa de consumidores, profissionais de tempo integral e endividados os quais em sua maioria hoje pensam ser pertencentes a uma classe econômica dita média, se destacando por possuir diplomas, carnês de imobiliária e cartão de crédito. Findo esse período, há a ascensão de um novo período de redução e esvaziamento dessa massa, com consequente retorno à concentração de riquezas nas mãos de poucos, tudo isso com o aval dessa mesma massa. Trata-se de um movimento ditado para manutenção do poder nas mãos daqueles que sempre mandaram e nunca deixaram de mandar nesse país.

Olhando por outro ângulo, ou respondendo à pergunta feita por uma aluna ontem, podemos dizer que, multiplicam-se os condomínios, as casas populares, os blocos habitacionais da COHAB e a posse de carros. Não está se desconcentrando a riqueza, e sim se estruturando o controle da produção de riquezas na forma de urbanização e expansão da economia de mercado. A urbanização fica a cargo das prefeituras e até o presente momento a expansão da economia é da alçada do governo federal. Com a dita crise e as necessidades crescentes ditadas pela economia de mercado da Internet, pagar contas e aumentar a carga horária de trabalho já é coisa de muitos jovens por aí.

Viajei. Não. O gerente do balcão muda, no município pelo voto, na esfera federal pelo golpe. A curva ascendente vira descendente. Somente para aqueles cuja única riqueza que possuem e com a qual podem negociar é sua força de trabalho. Para o detentor do capital, é o momento de duplicá-lo, para o infinito e além. Observe. O lucro dos bancos no ano passado. O PIB norte-americano. A expansão de empresas internacionais ou o engolimento das menores pelas maiores, INBEV Interbrew, muitas outras coisas. Note que mudam os gerentes, mas os donos do poder sempre serão os mesmos. Isso sem nem tocar no fato da eleição do famigerado João Dória para a Prefeitura de São Paulo.