Confesso que tinha uma expectativa negativa quanto ao filme Tropa de Elite 2. Bem, não preciso dizer que achei que o primeiro é um filme vergonhoso, fascista e maniqueísta. Achei que este segundo não iria ser diferente e por conta disso posterguei ao máximo a oportunidade de assistir o filme. Penso se não houve certo planejamento do diretor José Padilha, de fazer um filme fácil num primeiro momento, e depois criar um filme mais denso e politizado. Até mesmo o início desse segundo filme é muito mais um chamariz do que um início coerente de um grande enredo. O que eu já vi de gente falando que gostou mais do começo do filme. Imagino que a revista Veja (não li nada ainda sobre o filme, evitei para não criar filtros) não tenha recebido esta continuação com a mesma empolgação que recebeu o primeiro, pois se no primeiro havia um vilão evidente e era pobre e favelado, desta vez os canos apontam pra outra direção, na direção que aquela revista tem compromisso de defesa. José Padilha cria no filme algumas armadilhas cerebrais. Só quem pensa pra flagrar. Por isso expõe a sociologia de forma simulada. A ação violenta nos presídios justificando a ação violenta nas favelas é a tônica do início do filme. Depois, bem depois vamos ver que são coisas distintas e atingem problemas distintos. Na primeira se age contra marginais, sem chance de erros, na segunda o cidadão passa a ser a maior vítima, pois o morador honesto da favela, durante as ocupações de morro sofre muito mais do que os marginais. Outro momento em que o diretor atira para um lado e tenta acertar outro é quando o protagonista é taxativo em classificar a intectualidade de esquerda como maconheiros. Perto do final quando o Cel.Nascimento admite que estava errando é que podemos passar uma borracha por todas as afirmações que ele fez. Mas aí é o espírito de bravura que prevalece e a reação para a burrice que ele vinha cometendo é fazer o que ele sabe fazer. Como diria o Groo:”O corta corta…”. Não dá muito lugar para novas conjecturas e afirmações. José Padilha manobra seu personagem com esmero científico. Se no primeiro filme os protagonistas usavam o aparelho de estado para promover uma vingança pessoal, para fazer o papel do judiciário e legislativo, decretando pena de morte, julgando e executando de uma vez só, agora se encara a realidade, o Cel.está nu, mas não está só, e isso é muito importante, não se pode ser herói sozinho. E não se vence o crime somente com uma arma na mão. É preciso coragem, audácia e desprendimento para denunciar, para depor, para derrubar o “sistema”. O que fica é a conclusão de que nada é o que parece. De que a realidade é muito mais complicada do que tentam nos fazer entender. De que o vilão, ás vezes é apenas um joguete nas mãos do verdadeiro canalha, como dizia Bezerra da Silva. E de que a esquerda no Brasil trabalha sim a favor dos valores éticos e morais.