Ler pode ser uma coisa catastrófica, dolorosa mesmo. Por que implica pensar. Diferente de ver tv, assistir certos filmes ou ouvir rádio onde as idéias vem prontas e não há muito tempo para se concordar ou refutar essas idéias.

Por vezes tenho vontade de parar com tudo isso, e agora sei mais do que nunca porque é que parei de ler lá na adolescência com 17 anos. Li muito entre os 14 e os 17, mas cheguei naquele patamar em que começava a ver as incoerências defendidas por jornalistas da Folha de São Paulo e de toda a grande imprensa, aliás uma revista que me fez ver a realidade por trás das notícias foi justamente a que se chamava Imprensa. Incoerências estas que depois acabei vendo que atendiam a demandas oriundas do setor econômico.

Aprender a arte da oratória, escrita e falada para poder vender ao melhor preço pra mim não é ação que traga satisfação, vendo que tantos lutaram para que nossa civilização atingisse o patamar de civilidade e humanidade em que nos encontramos. E o que tenho visto é um retorno a um obscurantismo onde a capacidade intelectual é utilizada para defender os mais grotescos pontos de vista. Não estou falando de defesa de lados políticos, esquerda e direita ou coisas do gênero, mas de defender direitos civis. De defender um retrocesso cultural e político que legitima a permanência de velhas oligarquias travestidas de novidade.

Pode parecer que defendo a esquerda ou o PT, mas não é verdade, o que me parece é que a disputa pelo poder cegou a todos e cada vez mais tanto um quanto o outro monetarizam os aspectos da vida social e até da vida particular.