DESMUNDO

O filme Desmundo de Alain Resnault trata de um episódiso caracteristico da formação do Brasil como nação. Mostra com sutileza o sofrido processo de ocupação de terras e produção de riquezas e a preocupação da sociedade da época com a perpetuação étnica, revestida de preconceito à miscigenação. MIstura-se a essa fotografia bem montada e repleta de cores, a brutalidade do tratamento dispensado à protagonista, que é obrigada a casar muito jovem com um homem semibestializado pela vida selvagem do período colonial, o qual a trata como se ela fosse um animal de seu rebanho.

A organização dos centros habitados é evidenciada, onde vemos a existência de cercas altas e robustas, locais de rebanho, de trabalho de índios escravizados, de catequização, todos estabelecidos e avançando.

O objetivo do filme é o de contar uma história romântica que relaciona os sentimentos de afinidade afetiva com a construção familiar, coisa alheia aos costumes da época. O uso da linguagem arcaica evoca a fidelidade da reconstrução do contexto histórico, salientando o antagonismo oriundo da paixão dos personagens.

Fica claro ao final que na história de uma nação como a brasileira, as paixões moveram embates e deixaram seus custos para trás. E herdamos de um passado de contradições a esperança de um futuro menos desumano.